#prontofalei

Dia Internacional da Hipocrisia

Não quero flores e também não quero ser lembrada hoje. Não quero um dia especial. Um dia para “reconhecer” tudo o que já venho fazendo há anos.
Não preciso de uma data só minha. Não quero ser diferente. Quero ser reconhecida como igual, todos os dias. Não quero que me enxerguem hoje como a “mulher iluminada” por criar os filhos e fazer a janta. Não quero que me encarreguem todo o peso dessa tarefa estereotipada.
Não quero que levem em consideração o meu sexo em um processo seletivo, que me perguntem se sou casada ou se tenho filhos. Isso não interfere na minha capacidade e dedicação.
Não quero que buzinem para mim no trânsito só porque estou dirigindo e sou mulher, e muito menos desejo que buzinem para mim ou mandem beijos e assovios enquanto eu estiver caminhando pela rua.
Não quero sentir mais medo de andar sozinha. Não quero me preocupar com as roupas que visto, se estou me expondo demais para ser assediada.
É péssimo saber que, antes de tudo, minha imagem será associada ao sexo, independentemente de onde eu estiver.
E que eu vou precisar me dedicar três vezes mais por ser mulher para ter algum reconhecimento.
Não quero que duvidem da minha capacidade, ou que definam minha personalidade pela maquiagem que uso ou pelas roupas que visto.
Também não quero que definam meu caráter pela quantidade de namorados que já tive, se estou solteira ou casada.
Não quero que apontem o dedo dizendo que “estou de TPM” ou “sou mal comida” simplesmente pelo fato de eu ter dado a minha opinião ou fazer alguma crítica. Ou até mesmo por ter me revoltado com algo. Eu também tenho direito de me revoltar e ser ouvida.
Não me venha com flores hoje. Eu sei que elas murcham e morrem quando o dia termina.
Respeito, justiça e igualdade diariamente deveriam valer bem mais do que flores e homenagens hipócritas a cada 365 dias.

Resenha: Adormecida, de Anna Sheehan

A obra de Anna Sheehan não é exatamente uma versão moderna de A Bela Adormecida, mas uma história totalmente nova que apresenta certa intertextualidade com o conto de fadas.

Trata-se da história de uma menina que é despertada após ter dormido durante muitos e muitos anos num “tubo de estase” (assista ao vídeo e descubra o que é isso). Mas em vez de haver um príncipe encantado apaixonado e ansioso para casar com ela e viverem felizes para sempre, o destino de Rose Fitzroy está bem longe disso: ela tem uma série de problemas bem cabeludos a enfrentar. Digamos que o menor deles é o fato de ela não conhecer mais ninguém num mundo que mudou completamente.

Um conflito bem legal de se explorar mas com um desenrolar que deixou um pouco a desejar.

Não acho que o final tenha sido ruim, até porque não tinha muito como fugir do que acontece conforme a história foi construída (a não ser que a personagem se entregasse numa depressão profunda e vivesse infeliz para sempre, ou que o plastine – leia o livro! – conseguisse matá-la e fim!). Na realidade o problema principal foram as bases, a maneira em que a história foi desenvolvida. (mais…)

Resenha: Selva de Gafanhotos

Selva de Gafanhotos, de Andrew Smith, foi uma obra bem divulgada pela editora intrínseca e sua campanha de lançamento mostrou ser um livro divertido por tratar-se do fim do mundo de forma cômica, nonsense e nojenta ao mesmo tempo.

Talvez por eu ser um tanto crítica para histórias engraçadas ou sobre fim de mundo, não gostei tanto como achei que fosse gostar desta obra, que aborda a junção desses dois assuntos polêmicos. Imaginei que o humor fosse um tanto diferente e acabei me decepcionando um pouco. #prontofalei

Sua sinopse me chamou bastante atenção e cheguei até a deixá-lo como dica de lançamento aqui no site. Assim que vi o livro na livraria, comprei e coloquei na fila dos próximos a serem resenhados. Mas infelizmente a obra deixou um pouco a desejar na experiência que eu tive ao lê-lo.

A história é narrada por Austin, um adolescente polonês que, junto de seu melhor amigo Robby e por acidente, acaba dando vida a um exército de louva-a-deus “irrefreáveis” de 1,80m que só fazem duas coisas: comer e se reproduzir. E como nada além do sangue do próprio criador consegue destruir essas criaturas, é dessa maneira que começa o caos e o mundo praticamente acaba. (mais…)