Resenha: Adormecida, de Anna Sheehan

A obra de Anna Sheehan não é exatamente uma versão moderna de A Bela Adormecida, mas uma história totalmente nova que apresenta certa intertextualidade com o conto de fadas.

Trata-se da história de uma menina que é despertada após ter dormido durante muitos e muitos anos num “tubo de estase” (assista ao vídeo e descubra o que é isso). Mas em vez de haver um príncipe encantado apaixonado e ansioso para casar com ela e viverem felizes para sempre, o destino de Rose Fitzroy está bem longe disso: ela tem uma série de problemas bem cabeludos a enfrentar. Digamos que o menor deles é o fato de ela não conhecer mais ninguém num mundo que mudou completamente.

Um conflito bem legal de se explorar mas com um desenrolar que deixou um pouco a desejar.

Não acho que o final tenha sido ruim, até porque não tinha muito como fugir do que acontece conforme a história foi construída (a não ser que a personagem se entregasse numa depressão profunda e vivesse infeliz para sempre, ou que o plastine – leia o livro! – conseguisse matá-la e fim!). Na realidade o problema principal foram as bases, a maneira em que a história foi desenvolvida.

Quando li a sinopse, imaginei algo bem mais complexo. Mas conforme passamos as páginas, vemos que o conflito geral é algo mal pensado e sem sentido. #prontofalei

O tempo da narrativa faz uso de flashbacks para entendermos o caráter e posicionamento de personagens fundamentais no desfecho. Tudo dá-se a entender que os problemas são praticamente impossíveis de se resolverem. Na prática eles se resolvem num estalar de dedos. A menina que sempre foi protegida pelos pais (ou assim pensava que era), que sempre teve uma autoestima pra lá de baixa e que sempre foi tratada como a criança que nunca era ouvida, torna-se uma pessoa madura e segura de si muito rápido no meu ponto de vista.

Mas a história não é tudo de ruim não, gente. Não posso ser injusta, afinal o que eu mais gostei nesse livro foi o exemplo de coragem e superação da personagem, mesmo nesse universo totalmente surreal em vários sentidos – como comento no vídeo abaixo.

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