Nova Ortografia Resumida (Parte Final)

Caros leitores! Com muito orgulho e satisfação venho concluir esta série da nova ortografia que cresceu e se destacou bastante de uns tempos pra cá. E hoje falaremos do último tópico que estava pendente e que muito provavelmente é um dos mais esperados: o uso do hífen.

Caso você não tenha acompanhado esta série desde o início ou queira relembrar os artigos passados, segue abaixo o índice de publicações.


Vamos lá!

De início a regra do hífen pode parecer complicada e cheia de detalhes, mas se você for atento verá que é simples e que podemos dividi-la três ocorrências: 1.) compostos, locuções e encadeamentos vocabulares; 2.) formação por prefixação, recomposição e sufixação e 3.) formas pronominais.

Então bora praticar para entender bem esses três casos e terminar esta série com chave de ouro!

1.) Compostos

Como o próprio nome diz, palavras compostas são formadas por dois ou mais radicais. Por exemplo: girassol, guarda-chuva e aguardente.

Caso lhe interesse, uma composição pode ocorrer por aglutinação, quando perde-se um ou mais elementos nessa junção, como em:

aguardente = água + ardente (onde perde-se a última letra da palavra água) ou
planalto = plano + alto (onde perde-se a última letra da palavra plano).

Mas uma composição também pode ser por justaposição, quando nenhum dos radicais perde nenhuma letra, como em:

girassol = gira + sol, 
sexta-feira = sexta + feira (dã) e
mandachuva = manda + chuva (jura?)
.

Como você pode perceber, o uso hífen somente ocorrerá, obviamente, nos seguintes casos de composição por JUSTAPOSIÇÃO:

a) Quando os elementos formarem uma unidade sintagmática e semântica. Isto significa que cada uma das palavras dessa composição possui um significado próprio individualmente, mas que se juntaram dando origem a um novo significado. Por exemplo: guarda-noturno, azul-claro, primeiro-ministro, quarta-feira, conta-gotas, médico-cirurgião, tio-avô, arco-íris. Então quando duas palavras (sejam substantivos, adjetivos, numerais ou verbos) com significado próprio se unirem para ter outro significado juntas, usamos o hífen.

MAS FIQUE ATENTO! Não utilizamos mais o hífen nas locuções de qualquer tipo, como por exemplo: cão de guarda, cor de rosa, ora bolas, abaixo de, a fim de, juiz de futebol.

Caso não se lembre, as locuções podem ser adjetivas, adverbiais, substantivas, prepositivas, conjuntivas, pronominais, verbais e interjetivas. Então, não se esqueça: não usamos hífen em qualquer locução que aparecer pela frente! ;)

b) Também usamos o hífen nos topônimos compostos que se iniciam com grão/grã, com verbo ou que possuam artigo entre os elementos. Relembrando que topônimos são nomes geográficos. Por exemplo: Grã-Bretanha, Grão-Pará, Quebra-Costas, Traga-Mouros, Entre-os-Rios e Trás-os-Montes.

Já nos demais topônimos não usamos o hífen: Castelo Branco, América do Sul, Cabo Verde, entre outros.
A única exceção é Guiné-Bissau, para complicar nossa vida. :/

c) Ainda falando de compostos, usamos o hífen em palavras compostas que possuam além, aquém, recém e sem, como por exemplo: além-mar, aquém-oceano, recém-nascido, recém-casado, sem-terra, sem-teto. Então, se for chamar algo ou alguém de ser-vergonha, não se esqueça de usar o hífen!

d) Como a regra de compostos por justaposição é um pouco extensa, aqui vai mais uma regrinha para quando usar o hífen: nas palavras de espécies botânicas e zoológicas, como couve-flor, erva-doce, bem-te-vi, louva-a-deus, cobra-d’água.

e) Também usamos o hífen quando o primeiro elemento da composição for um dos advérbios bem ou mal e o segundo elemento se iniciar com uma vogal ou por h. Exemplo: bem-estar, bem-humorado, mal-estar, mal-educado.

MAS MUITA ATENÇÃO – ESSA PARTE É REALMENTE IMPORTANTE: mesmo quando o primeiro elemento for o advérbio “bem” e o segundo elemento se iniciar com uma consoante, utilizaremos o hífen se ainda existir a noção da composição.
Espere aí… Oi?

Vamos lá…  Se usamos o hífen no caso dito acima, não utilizamos o hífen quando a segunda palavra se iniciar por consoante! :)

Vamos exemplificar.

Malcriado = mal + criado (Justaposição e sem hífen porque o segundo elemento não se inicia por vogal, certo? Certo!)
Benfeitor = bem + feitor (Não usamos o hífen porque o segundo elemento também começa por uma consoante. Desta forma acabou ocorrendo uma aglutinação. A letra m do advérbio bem foi trocada pelo n  porque usamos m na frente de p e b somente, né? ;)

Mas… (sempre tem um mas, incrível) ainda podem haver casos em que a primeira palavra inicia-se pelo advérbio bem e a segunda palavra por uma consoante. Neste caso são aquelas que ainda possuem a noção de composição, como em bem-criado (o oposto de malcriado) e bem-visto (ao contrário de malvisto).

Benfeitor, benfeito e benfazejo (bem feias essa aglutinações, mas ok) são palavras em que não há a noção da composição, diferentemente de bem-ditoso, bem-criado, bem-nascido, em que o advérbio bem tem um forte destaque na sua atuação e sabemos que se trata de uma composição.

Sim, concordo com você. Essa regra é um tanto difícil de engolir. É uma questão que se dará por feeling (hahaha) principalmente se você praticar bastante sua leitura e estudo para conseguir determinar quando há e quando não há essa noção de composição, conforme conhecermos bem a maneira que utilizamos essas palavras.

f) A última regra se dá ao uso do hífen nos encadeamentos vocabulares ocasionais (quando juntamos os elementos por possuírem uma ligação no contexto) e nas combinações históricas, como em: ponte Rio-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade.

Yes! Agora vamos para o segundo tópico!


 

2.) Prefixação, Recomposição e Sufixação

Sabemos que existem palavras formadas por prefixação, recomposição (falsos prefixos) e sufixação.

Nos casos de prefixos e pseudoprefixos, usamos o hífen quando:

a) o segundo elemento iniciar-se pela letra h (co-herdeiro, extra-humano, super-homem, pré-história, anti-higiênico).
MAS não usamos o hífen quando o segundo elemento perder o h (desumano, inábil, desumidificar).

b) quando o segundo elemento iniciar pela mesma vogal que o primeiro elemento (micro-ondas, arqui-inimigo, auto-observação). R.I.P. “microondas”. :(
MAS quando o prefixo for CO-, não usamos o hífen, MESMO SE o segundo elemento se iniciar pela vogal o (coordenar, cooperação, coobrigação).

c) quando o prefixo for circum- ou pan- e o segundo elemento iniciar por h, m, n ou por uma vogal (circum-hospitalar, pan-americano, pan-helenismo, pan-mágico, circum-navegação).

d) quando os prefixos pós-, pré- e pró-forem tônicos e acentuados graficamente (pós-graduação, pré-escola, pós-tônico).
Observe que não usamos hífen em pospor, prever e promover porque os prefixos perderam a tonicidade.

e) quando os prefixos hiper-, inter- e super- forem seguidos de elementos iniciados por r (hiper-realista, inter-regional, super-resistente).

f) quando o prefixo for ex- (no sentido de estado anterior ou com efeito de cessar), sota-, soto-, vice-, vizo- (ex-aluno, ex-presidente, sota-capitão, soto-ministro, vice-diretor, vizo-rei).

Não usamos hífen quando:

a) o prefixo ou pseudoprefixo terminar em vogal e o segundo elemento iniciar por r ou s. Neste caso duplicaremos essas letras. (antirreligioso, cosseno, minissaia, microssistema).

b) o prefixo ou pseudoprefixo terminar em vogal e o segundo elemento iniciar por uma vogal diferente do primeiro elemento (antialérgico, extraescolar, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrica, coeducação, aeroespacial).

c) em palavras derivadas por sufixação apenas quando o primeiro elemento terminar com acento gráfico ou a pronúncia exigir ao mesmo tempo que o segundo elemento for um dos sufixos tupi-guarani -açu, -guaçu ou -mirim (capim-açu, andá-açu, amoré-guaçu, Ceará-mirim).


3. Formas Pronominais

a) O hífen também é usado em casos de ênclise (ajudá-lo, pedir-lhe, conte-me) e mesóclise (contar-te-ei, dar-se-ia).

b) E por último de tudo, usamos o hífen após o advérbio eis, quando seguido de pronomes átonos (me, te, lo, na, vos):
Eis-me preparada para a prova da nova ortografia / Ei-lo que chega de repente na multidão.

Pra encerrar o post de hoje (não aguento mais o hífen, sem brincadeira), caso estejamos escrevendo um texto e o final da linha coincidir com o hífen, temos que repeti-lo na próxima linha por conta de melhor entendimento na escrita. Por exemplo:

Choveu muito ontem mas esqueci de levar guarda-
-chuva.


Finalmente encerramos. Sim! Não há mais tópicos para falarmos a respeito da nova ortografia. Mas sinta-se à vontade para voltar aqui no blog quantas vezes quiser e tirar eventuais dúvidas se necessário ou tiver alguma sugestão para melhorarmos nossos estudos!

Vejo vocês logo!

Comentários

comentários

One Response to “Nova Ortografia Resumida (Parte Final)”

  1. […] 4). Então só ficará pendente mais um post, talvez o mais esperado de todos: o uso do hífen (Parte 5 – O final épico). Até […]

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