Dia Internacional da Hipocrisia

Não quero flores e também não quero ser lembrada hoje. Não quero um dia especial. Um dia para “reconhecer” tudo o que já venho fazendo há anos.
Não preciso de uma data só minha. Não quero ser diferente. Quero ser reconhecida como igual, todos os dias. Não quero que me enxerguem hoje como a “mulher iluminada” por criar os filhos e fazer a janta. Não quero que me encarreguem todo o peso dessa tarefa estereotipada.
Não quero que levem em consideração o meu sexo em um processo seletivo, que me perguntem se sou casada ou se tenho filhos. Isso não interfere na minha capacidade e dedicação.
Não quero que buzinem para mim no trânsito só porque estou dirigindo e sou mulher, e muito menos desejo que buzinem para mim ou mandem beijos e assovios enquanto eu estiver caminhando pela rua.
Não quero sentir mais medo de andar sozinha. Não quero me preocupar com as roupas que visto, se estou me expondo demais para ser assediada.
É péssimo saber que, antes de tudo, minha imagem será associada ao sexo, independentemente de onde eu estiver.
E que eu vou precisar me dedicar três vezes mais por ser mulher para ter algum reconhecimento.
Não quero que duvidem da minha capacidade, ou que definam minha personalidade pela maquiagem que uso ou pelas roupas que visto.
Também não quero que definam meu caráter pela quantidade de namorados que já tive, se estou solteira ou casada.
Não quero que apontem o dedo dizendo que “estou de TPM” ou “sou mal comida” simplesmente pelo fato de eu ter dado a minha opinião ou fazer alguma crítica. Ou até mesmo por ter me revoltado com algo. Eu também tenho direito de me revoltar e ser ouvida.
Não me venha com flores hoje. Eu sei que elas murcham e morrem quando o dia termina.
Respeito, justiça e igualdade diariamente deveriam valer bem mais do que flores e homenagens hipócritas a cada 365 dias.

Comentários

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2 Responses to “Dia Internacional da Hipocrisia”

  1. Aline disse:

    Excelente texto, parabéns! Concordo plenamente! Igualdade significa reconhecer que homens e mulheres têm a mesma capacidade, e as mesmas obrigações! E também acho que o respeito não tem que ser estimulado só entre homens e mulheres, mas entre as próprias mulheres também! Enquanto não respeitarmos umas as outras, enquanto nos dividirmos entre amigas próximas e “inimigas”, estaremos contribuindo com os estereótipos que tanto nos incomodam, enfraquecidas, fragmentadas. Respeito às minas, respeito às manas!

    beijos

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